A Carta

Talvez já te devesse ter dito isto há mais tempo, talvez isto não tenha significado nenhum, talvez eu seja uma tola e não tenha consciência disso.., Mas preciso de me libertar e essa libertação passa por te dirigir alguma palavras que estão entalas na minha garganta e me prendem a respiração. Foste a maior desilusão da minha vida! Talvez porque depositei em ti desmesuradas expectativas, e aí talvez o erro tenha sido meu! Mas esperava de ti mais lealdade, mais amizade, mais amor! E de repente eu compreendi que não existia nada disso entre nós, que partilhávamos a mesma casa, os mesmos filhos a mesma vida, mas era só isso, não havia diálogo, não havia compreensão, não havia entendimento e o pior de tudo, não havia amor! Quando me confrontei com esse facto, com a ideia de que tinha vivido um período da minha vida numa mentira, senti-me destruída, sem chão, sem amparo. E odiei-te, odiei-te profundamente! Porque me senti traída, enganada, abandonada... E chorei tanto, todos os dias! E ainda hoje apesar da lágrimas já não caírem pelo meu rosto, mora em mim o desgosto e a desilusão. Talvez por isso não te consiga olhar "olho no olho", porque certamente perceberias no meu olhar que te guardo uma grande mágoa! E a Vida seguiu, os dias passaram, os nossos filhos cresceram... e eu sobrevivi a este sofrimento que o teu egoísmo me causou... Mas por vezes, as memórias daquilo que podíamos ter sido, assombram-me os pensamentos e os dias passam a ser mais escuros... Por muitos progressos que tenha feito, os "ses" ainda me assaltam a cabeça e por mais distrações que procure, a verdade é que acordo de noite muitas vezes a pensar "nisto e naquilo". Problema meu, tens razão! E tudo aquilo que te estou a relatar é de facto um problema só meu, com o qual terei que aprender a viver, porque afinal, a vida não é assim tão simples, nem as coisas correm sempre como planeadas. Mas bolas! Éramos nós, os nossos filhos, o nosso lar... e nada disso importou? Como é que nada disso importou? Como é que de repente (deixa-me viver na ilusão de que foi de repente) já não significávamos nada? E depois, as atitudes... o parecer estar bem, o parecer não querer saber, o parecer estar melhor assim... Incrível! Que estofo! Eu olhava para ti e pensava "porra, mas sou só eu a sofrer!?", e nunca, por momento algum te vi querer ceder, querer dar uma reviravolta à reviravolta que demos à nossa vida! Nada! Absolutamente nada! Incrível! E agora, por muito que eu tente ser tua amiga, eu não consigo! Não dá! e isso ainda me causa mais sofrimento, mas por muito que eu tente, é-me impossível, eu não consigo! Talvez a minha postura não seja a melhor, mas é aquela que a minha consciência me permite ter! Porque olho para ti e questiono-me sempre "como foi possível?" "como foste capaz?" "que mal te fiz?". Talvez estas perguntas não façam o mínimo sentido, nem antes, nem agora... E é muito possível que mesmo que tivesse uma resposta, não me sentisse melhor, mas pelo menos havia uma razão, por muito cruel que ela fosse. Não imaginas a quantidade de vezes que pensei ir embora, sair daqui onde me cruzo constantemente com o teu "bem-estar"... mas não tive coragem, infelizmente. Enfim, pelo menos por agora, estou mais aliviada, porque apesar de saber que não vais ler estes desabafos, descarreguei a minha alma do peso destas palavras.

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